Entrevista produzida para o Jornal Laboratório OutrOlhar, de Comunicação Social da UFV . Entretanto, nós editores do Blog entendemos que o assunto é de suma importância na construção de uma sociedade mais organizada e civilizada, bem como que o tema é pertinente também à proposta deste site.
O Conselho Municipal da Mulher é hoje o principal porta-voz
da ala feminina da população de Viçosa, mas nem sempre foi assim. O que hoje
representa um órgão engajado de assistência e debate voltado para melhorias na
condição social da mulher, era até pouco tempo um grupo “minguado” e
enfraquecido. É o que relata Marisa Barleto, presidente do Conselho e,
professora do Departamento de Educação da UFV. A líder das discussões
femininas, na cidade, contou-me em entrevista, em nome do Jornal laboratório
OutrOlhar, sua trajetória ativa a serviço da mulher.
Marisa Barleto em entrevista - Foto: Fabio Moura
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Professora, a senhora está na presidência do conselho desde quando?
R: Desde 2008, quando assumimos. Agora, ao final de
2010 nós tomamos posse novamente.
Sobre a sua formação, qual é a sua história, presidente? Já participou
de outros coletivos, outros grupos de debate?
R: Outros coletivos, com certeza. Eu sou do RJ e vim
para Viçosa em 95. Minha formação foi na área de Psicologia social, sempre
voltada pra essas discussões políticas e sociais, trabalhar com educação, para
mim, era isso. Eu já vinha de uma trajetória de militância, no Rio. E havia
aqui um diretório bastante forte, na época, voltado para o grupo de discussões
de Políticas para mulheres. Na UFV, em 2000, nós criamos o NIEG, o Núcleo
Interdisciplinar de Estudos de Gênero, que não é um grupo de direitos da
mulher, mas envolve estudos de gênero. O conselho apareceu então nesse momento,
com ajuda da defensoria pública. De repente, nós tínhamos muitas outras
instituições interessadas dispostas a elaborar essa discussão voltada para
mulher.
Quando foi criado o conselho?
R: O conselho foi criado em 2003, foi muito bacana a
instalação dos conselheiros, do conselho, foi uma coisa de muita mobilização.
Mas o que aconteceu, ele funcionou um pouco, mas acabou não vingando, por assim
dizer. As reuniões eram chamadas, mas não havia quórum, ficava muito
concentrado na secretaria do conselho, chamando as reuniões, fazendo tudo.
O quórum era composto por quem?
R: A composição do conselho era de representantes dos
vários conselhos; conselho da saúde, conselho da criança e do adolescente,
havia representantes da câmara e outros. Todo conselho é formado por cinquenta
por cento de representantes governamentais e cinquenta por cento de
representantes não governamentais, o que é um princípio básico, então havia
essa composição. Do governamental, nós tínhamos a UFV, a prefeitura e outros.
Esse conselho cumpriu sua primeira gestão de uma maneira muito precária, depois
disso ele acabou “minguando”, enfraqueceu. Ele não foi reativado.
Agora, em 2008, a defensoria pública e a ESUV fizeram um evento sobre
violência doméstica, eles deram um incentivo, um gás, nesse evento, chamando as
entidades, chamando o NIEG da UFV, o Núcleo Interdisciplinar de Estudos de
Gênero. Foi um evento muito bom em termos de mobilização, conseguimos um
documento reivindicando um plano de políticas públicas pra mulheres. Então,
através desse evento nós fizemos uma “provocação”, e convocamos um novo
conselho. E assim foi, nós retomamos as atividades do conselho, fizemos uma
chapa...
Ele (o conselho) não deixou de existir, não é?
R: É, não deixou, mas ele ficou desativado, quando chegou ao final de 2008, convocamos uma nova eleição para nova gestão, de 2009-2010. O conselho se recompôs e foi reativado. Fizemos quase um ano de preparação, o conselho discutia a pauta da Secretaria de Políticas Públicas para mulheres, discutimos lei Maria da Penha, fizemos vários seminários, no final do ano a gente fez um projeto, que ficou batizado de “Projeto Casa das Mulheres”.
Ele (o conselho) não deixou de existir, não é?
R: É, não deixou, mas ele ficou desativado, quando chegou ao final de 2008, convocamos uma nova eleição para nova gestão, de 2009-2010. O conselho se recompôs e foi reativado. Fizemos quase um ano de preparação, o conselho discutia a pauta da Secretaria de Políticas Públicas para mulheres, discutimos lei Maria da Penha, fizemos vários seminários, no final do ano a gente fez um projeto, que ficou batizado de “Projeto Casa das Mulheres”.
Mas o conselho atende a outros temas, ou apenas à questão da violência?
R: Nesse momento, o quê nós fizemos... Centramos “fogo” na pauta do enfrentamento da violência.
Pois em seu discurso, na câmara, sobre a questão da
reformulação para o biênio de 2011-2012, o objetivo principal era a violência,
sempre foi esse ou havia outros?
R: Então, justamente, o conselho não possuía tema.
Ele se constituiu, mas não vingou. Essa pauta foi dada pelo Segundo Plano
Nacional de Políticas Públicas. Nós estamos tentando, e estamos conseguindo,
seguir um projeto alinhado com as discussões a nível nacional, estadual e
municipal; tentando fazer esse diálogo. Quando voltamos, então, com esse foco,
o projeto toma uma dimensão muito grande. Estamos bem envolvidos nesse
trabalho.
As denúncias têm aumentado? As pessoas tem se sentido mais seguras pra isso?
R: Sim, a gente tem percebido isso.
| Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) de Viçosa |
E a senhora acredita que está havendo uma quebra de
barreiras? Que a mulher está conseguindo se impor?
R: Não diria uma quebra de barreiras, propriamente.
Mas existem duas coisas importantes: uma, é que população em geral vem
respondendo, aos poucos, às “provocações” que nós temos feito levantando esse
debate, denunciando, reivindicando... A outra coisa é que nós estamos
conseguindo construir caminhos para que uma política de enfretamento, uma
política que discuta especificamente gêneros, seja criada. A criação de
condições para assistência pública. O índice de violência nas casas é muito
alto, não pode ser deixado para questões pessoais, deve ser trazido para esfera
pública.
Quais outros assuntos entram na agenda?
R: Na rádio, já falamos sobre a presidenta da Escola
de Samba Unidos dos Passos. Há a cooperativa das mulheres - a padaria do
[projeto] “Mãos de Fibra”, da Violeira -, há o grupo das catadoras... É uma
forma de dar a volta por cima, essas pessoas precisam de apoio, de dar um
“basta” na história, apresentamos alternativas, não só como incentivo, mas como
uma opção econômica mesmo, de geração de renda. Dessa forma, tentamos
relacionar esses assuntos dentro do tema principal.
Existe um calendário das atividades que abordam o debate?
R: Ainda não, estamos gastando o tempo planejando
esse pacto, essa união coletiva para essa gestão.
Há algum motivo principal que cause essa violência
doméstica? Alcoolismo, ciúmes, desemprego...
R: Na verdade, é tudo isso. O que produz o problema é
a ideia da dominação masculina, uma concepção de masculinidade que provoca
isso. A concepção cultural da opressão, da violência, essa é que é a causa, nem
todo mundo que consome álcool é violento, são violentos aqueles que precisam
exercer a opressão sobre o outro, aí entram as crianças, as mulheres, o
problema da questão racial...
E que tipos de violência estão presentes nesses casos?
R: Vários tipos. Existe a violência física, que é
mais explícita, mas tem a psicológica também, que desqualifica a pessoa, a
intimidação; por exemplo: o casal vai sair e homem diz “vai sair com essa
roupa? Está parecendo uma...” Então vai-se destruindo, depreciando, agredindo
aos poucos o sujeito. Tem também a violência patrimonial, expulsar a pessoa de
casa, quebrar seus pertences, queimar tudo, acabar com seus objetos... E tem a
sexual, situações de assédio e estupro. Meninos e meninas precisam prestar
atenção no estão fazendo, eles estão imitando os mais velhos, começando
errado... Mesmo nas situações mais bobas do cotidiano, é necessário prestar
atenção.
Se você acha que a
violência atinge somente aos casados, adultos, Marisa alerta que “por uma série
de fatores as meninas acreditam que não tem problema, que é por amor, ciúme, e
ela aceita desde cedo”. Fazem parte do Conselho a UFV, a Delegacia, a
defensoria pública e a Secretaria de Ação Social. O telefone de contato é
3891-8105 e o anonimato é garantido.
tapinha de amor pode?
ResponderExcluirThiago Soares! vai ganhar seu tempo aprendendo que não há espaços para brincadeirinhas estúpidas, machistas e agressivas! Quando não tiver nada a acrescentar fica calado!
ResponderExcluirEm suma, o tal conselho nada fez e muito pouco sabe sobre a violência contra a mulher em Viçosa. Não vi nenhum nùmero na entrevista.Bad
ResponderExcluirEntão não pode?
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